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Yamaha RD 50: os bastidores da primeira moto nacional

Brasil começou a fabricar motos em 1974, com a linha de montagem da Yamaha em Guarulhos (SP)

14/05/2020 17:05

A subsidiária da Yamaha no Brasil era um escritório recém-aberto na rua General Osório, conhecida por concentrar o comércio de motos em São Paulo (SP), quando o vice-presidente da matriz, Hisao Koike, desembarcou aqui em 1971. Os japoneses já tinham a informação de que o Governo aumentaria os impostos sobre motos importadas nos próximos anos, portanto queriam transformar a modesta operação local em uma fábrica para atender o mercado em crescimento.

Marcas japonesas tiveram um papel fundamental na popularização das motos no Brasil. Até então, o que se via eram scooters e motocicletas europeias vendidas a um público extremamente restrito. Koike estava certo que esse cenário mudaria, por isso providenciou que uma equipe de engenheiros japoneses começasse a visitar possíveis fornecedores.

A compra do terreno à beira da rodovia Presidente Dutra (BR-116) aconteceu em 1972 e a construção da primeira planta da marca fora do Japão foi iniciada no ano seguinte. A Yamaha começaria a fabricar a RD 50 experimentalmente em setembro de 1974, para produzir 800 unidades mensais – a previsão era dobrar o volume ao longo de 1975.

O modelo RD 50 sucedia a YB 50 importada, assim como ocorreu no Japão, com uma série de vantagens sobre o modelo anterior. Um quadro de aço tubular igual ao das motos de maior cilindrada da época entrou no lugar da estrutura estampada, comum aos ciclomotores e mais sujeita à torções. A potência do motor também era maior, de 6,2 cv contra os 4,8 cv da YB, com câmbio de 5 marchas para permitir melhor aproveitamento (antes 4 marchas).

Os japoneses preferiram começar a produção pelo modelo de entrada da Yamaha no exterior, que entendiam ter mais potencial no Brasil. Outro raciocínio dos executivos foi primeiro ajudar a aumentar a base de consumidores para os modelos de cilindradas mais altas que viram depois.

Havia outras questões importantes a favor da opção pela pequena RD, como a permissão da condução de "cinquentinhas" por menores de idade, algo que estava na agenda de discussão política, e a maior simplicidade técnica para viabilizar a produção de componentes nacionais.  

A marca queria ter a moto nacional pronta para apresentação no Salão do Automóvel de 1974, e vendas de fato ocorrendo no máximo em dezembro. Aproveitaram a mostra de automóveis para estimular o contato do público com a novidade numa área de testes e dar instruções de pilotagem voltadas a iniciantes. Resultado foi que durante alguns meses faltaram motos para atender à demanda, impulsionada pelo preço menor que da concorrente importada Honda CB 50 e equivalente à metade do cobrado por modelos de 125cc.

No Brasil, a RD 50 ainda teve sobrevida evoluindo nos anos seguintes para RD 75 e depois RX 80. Esta última foi vendida até a década de 1980.

 

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