25/02/2026 10:56
O Vietnã anunciou uma mudança histórica em sua mobilidade urbana: a partir de 1º de julho de 2026, motos movidas a gasolina estarão proibidas nas principais áreas centrais de Hanói. A medida integra um plano nacional que prevê a eliminação total das motos com motor a combustão interna até 2045, com o objetivo de reduzir a poluição do ar e o ruído. Em um país onde existem cerca de 72 milhões de motos a gasolina — principal meio de transporte da população — a decisão representa uma transformação estrutural profunda e de grande impacto social.
A primeira fase atingirá os distritos de Hoan Kiem e Ba Dinh, áreas de intensa circulação comercial e turística. A restrição deverá ser ampliada gradualmente e pode, no futuro, incluir também automóveis a combustão. Para viabilizar essa transição, o governo aposta em incentivos econômicos e na expansão da infraestrutura de recarga e de troca de baterias. Atualmente, as motos elétricas representam cerca de 5% do mercado local, mas crescem rapidamente, com destaque para fabricantes nacionais como a VinFast.
Mas e no Brasil, uma medida semelhante daria certo? A realidade brasileira apresenta desafios ainda maiores. O país possui uma frota significativa de motos de baixa cilindrada, amplamente utilizadas para trabalho — especialmente em entregas e transporte individual — e como alternativa econômica ao transporte público. O custo das motos elétricas ainda é elevado para grande parte da população, e a infraestrutura de recarga é incipiente, concentrada em poucos centros urbanos.
Por outro lado, em cidades com altos níveis de poluição e tráfego intenso, como São Paulo ou Rio de Janeiro, restrições graduais em áreas centrais poderiam ser debatidas no futuro, desde que acompanhadas de incentivos fiscais, linhas de financiamento acessíveis e investimento robusto em infraestrutura.