Quatro Rodas

Viagem: do passado ao presente em duas rodas

Brasileiro viaja por trechos históricos da Europa e termina roteiro no World Ducati Week, evento mundial da marca

19/09/2014 11:23

Texto e fotos: Guga Dias

Eu tinha 13 anos quando aprendi a pilotar, e de cara senti que aquele vento era bom demais. Os anos se passaram e com a adolescência veio a faculdade, que saltou para o altar e depois maternidade... me vi no meio de tantos planos, obrigações e horas de trabalho a finco que confesso que o sonho cansou de me esperar e adormeceu.

Decidi tomar as rédeas da minha vida e começar a viajar de moto. E quis o destino me surpreender. As estradas me levaram a encontrar o amor nos braços de Elda e juntos rodamos mais de 225.000 km. Até que apareceu um projeto da Ducati de viajar pelo Brasil e parte da Europa, até o encontro anual da marca, o World Ducati Week. Muitos podem pensar que tenho sorte, mas na verdade não existe sorte sem trabalho.

Embarquei para Portugal, onde peguei uma Multistrada 1200 S para percorrer mais de 3.000 km em sete dias pela Europa. Em terras portuguesas, visitei pontos turísticos como o Padrão do Descobrimento, fui ao Castelo de São Jorge, considerado o ponto de partida da fundação de Lisboa, e estiquei até Sintra voltando pelo Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa. Foi difícil deixar a cidade, mas havia muito chão até a Itália.

Nas bancas: comparativo especial novas x usadas com 32 motos

O caminho apontava em direção a Barcelona e para evitar a Auto Estrada, reta, monótona e com muitos pedágios, segui a sugestão de um amigo e fui por estradas vicinais até o litoral. A surpresa do dia veio com a cidade Molina de Aragón com um fantástico castelo cortando a rodovia, com paredes e torres de pedras enormes. Em poucos quilômetros à frente, cruzei o Meridiano de Greenwich e pude colocar a moto metade para o lado de lá e metade para o lado de cá.

Chegando em Barcelona, fui ver a cidade do ponto mais alto, o Monte Tibidabo. Entrei na Igreja da Sagrada Família, uma obra do mestre catalão Antoni Gaudí que está em construção desde 1882 e deve ficar pronta somente em 2026. É um espetáculo de arquitetura e maluquice que somente Gaudí poderia criar. Quando questionaram se ele não ficava triste em saber que morreria antes contemplar sua arte, Gaudí respondeu que Deus tinha todo o tempo do mundo para isso. Ele morreu quando apenas uma das dezoito torres havia sido erguida.

Com os pés na Itália, segui para Misano, no litoral leste banhado pelo Mar Adriático ansioso pelo início do World Ducati Week. O momento mais emocionante se deu ao entardecer, quando seguimos para a pista do autódromo para uma volta no circuito. Eram milhares de motos.

Acho incrível quando nos surpreendemos com as coisas que podemos fazer. Todo mundo deveria experimentar essa sensação uma vez na vida. No entanto, preferi viver esta emoção todos os dias, e por isso comecei a viajar de moto. Se você sabe de qual sensação me refiro, então bora motocar que é bom demais.

A matéria completa está na edição de setembro de Duas Rodas (468).

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