Saudade de motor 2T? MXF lança a 300 TSX-R

Produzida no Brasil, a linha MXF busca performance radical no off-road. Usa motor 2 tempos e suspensão Kayaba para chegar lá

27/02/2026 12:55

No Brasil do off-road raiz, aquele que mistura barro vermelho, pedra solta e subida que parece parede, não existe espaço para discurso vazio. Moto boa é moto que aguenta. E é justamente nesse território sem maquiagem que a MXF Motors resolveu cravar sua bandeira mais ambiciosa: a nova MXF 300 TSX-R.

Topo de linha da família Racing, a 300 TSX-R não chega pedindo licença. Chega lembrando que, no enduro, dois tempos ainda é religião para muita gente séria. E aqui não estamos falando de nostalgia barata. Estamos falando de resposta imediata, leveza cirúrgica e entrega de potência que conversa direto com o punho direito.

A 300 TSX-R nasceu no Brasil — e isso não é detalhe de marketing. É contexto. Foi pensada para trilha brasileira de verdade: erosão funda, calor de rachar, especiais travadas e aquelas subidas intermináveis que fazem até piloto experiente repensar escolhas. Cada ajuste de curva de potência, cada decisão de acerto ciclístico, parte dessa vivência real.

O motor é um monocilíndrico dois tempos de 300 cc, refrigerado a água, com válvula de escape mecânica e carburador de 38 mm. Traduzindo: entrega forte, mas com progressão controlável. Não é aquele coice desgovernado que assusta. É força que vem cheia, porém utilizável. A transmissão de seis marchas ajuda a explorar bem o torque, enquanto a embreagem multidiscos banhada a óleo segura o abuso. E sim, há partida elétrica — porque performance moderna também é conveniência quando o relógio está correndo.

Com 106 kg em ordem de marcha, a MXF entra naquela zona mágica onde leveza vira vantagem real. Em trilha técnica, menos peso significa menos cansaço e mais precisão. O tanque de 8 litros mantém o conjunto enxuto, a altura livre do solo de 350 mm permite encarar obstáculos sem rezar, e o entre-eixos de 1.500 mm entrega estabilidade na medida certa: não é arisca demais, nem lenta nas mudanças de direção.

No chassi, a escolha por aço liga cromo molibdênio reforça a proposta de resistência com elasticidade controlada — algo fundamental no off-road. Na dianteira, o garfo KAYABA de 48 mm com 300 mm de curso e regulagens completas mostra que a conversa aqui é séria. Atrás, o amortecedor com ajustes de pré-carga, compressão rápida e lenta e retorno permite afinar a moto para o estilo do piloto e o tipo de terreno. Não é pacote decorativo; é equipamento de competição.

Os freios Taisko Japan, com discos de 260 mm na frente e 220 mm atrás, cumprem o papel de parar com eficiência quando a trilha despenca. Os aros EXCEL TAKASAGO com cubos usinados em CNC e os pneus KENDA fecham o conjunto premium sem soar exagerado. É coerência técnica, não lista para impressionar catálogo.

O escapamento MXF Pro-Exhaust Titanium, com curva em aço inox, ajuda a extrair mais rendimento e ainda reduz peso onde faz diferença. Em moto dois tempos, escapamento é parte vital da personalidade do motor — e aqui ele trabalha a favor da proposta: resposta rápida e fôlego em alta.

O discurso de “engenharia brasileira” costuma soar vazio em alguns segmentos. Mas, no caso da 300 TSX-R, ele faz sentido estratégico. Desenvolver localmente significa entender terreno, combustível, perfil de uso e bolso do consumidor. Com preço sugerido de R$ 54.990 (sem frete e ativação), ela se posiciona abaixo de muitas importadas premium, oferecendo pacote técnico competitivo.

No fim, a MXF 300 TSX-R não tenta ser exótica nem revolucionária. Ela tenta ser eficiente. E, no enduro, eficiência é o que separa quem termina a prova de quem vira história na trilha.

 

 

 

 

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