Quatro Rodas

Honda tem patentes para aerodinâmica ativa na CBR 1000RR

Peças móveis na carenagem foram autorizadas pelo Mundial de Superbike, desde que estejam também nas motos de produção

18/12/2019 12:12

A Federação Internacional de Motociclismo publicou o regulamento do Campeonato Mundial de Superbike 2020 com novidades na parte sobre aerodinâmica. Mais do que o campeonato em si, interessante é a potencial transformação que causará nas motos de produção. “Só o mecanismo de série poderá ser usado para as peças de aerodinâmica ativa ou dinâmica”, determina o regulamento. A Honda já se adiantou patenteando soluções para a CBR 1000RR. 

Atualmente, aerodinâmica ativa não é permitida na MotoGP, onde estrearam as asas vistas agora nas motos de rua. Por isso o regulamento prevê o uso de mais de uma carenagem por temporada, porque a presença das asas nem sempre é benéfica. 

Asas produzem “downforce”, pressão do ar na parte superior que mantém o veículo próximo do solo. Esse efeito reduz empinadas, para acelerações mais eficientes, mas atrapalha a trajetória de curva e a velocidade máxima. 

Hoje a escolha pela carenagem com ou sem asas na MotoGP, ou mesmo a configuração delas, depende do traçado de cada etapa. Pilotos e engenheiros avaliam com qual obtêm mais trechos com ganho de tempo do que perda, e escolhem. 

Peças que mudam de posição durante a pilotagem, como asas retráteis e de inclinação variável, se adequam a cada situação. A solução já foi muito explorada no automobilismo, quando permitida pelo regulamento, e nos automóveis de rua. O Porsche 911 é um exemplo: a asa é uma parte da traseira que se ergue progressivamente de acordo com a velocidade. 

E a Honda já patenteou três soluções para a CBR 1000RR, que talvez vejamos no modelo 2021. A primeira, e mais provável de ser produzida: as asas laterais poderão ser retráteis. Outra peça que poderia se elevar da carenagem seria uma parte do “nariz”, que se inclinaria na vertical para frente. O objetivo seria reduzir o contato da lâmina de ar que passa pela carenagem e, assim, a downforce nas curvas. 

A terceira solução é inusitada, e talvez tenha implicações na percepção do piloto que inviabilizem sua aplicação. Peças da carenagem frontal poderiam vibrar em frequência e extensão de movimento pré-determinadas, com mecanismo semelhante ao do celular. O suposto efeito também seria diminuir o contato da lâmina de ar que passa pela carenagem, eliminando downforce nas curvas.  

Estamos no início do que deve ser o futuro das superbikes. A aerodinâmica ativa ainda poderá trazer mais soluções, como criar resistência à passagem do ar para auxiliar frenagens, por exemplo. Saberemos a partir do lançamento dos modelos 2021.      

 

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