28/04/2026 15:31
A Honda Pop110i ES 2027 não mudou de essência. E ainda bem. Porque quando um produto acerta na base, o jogo não é reinventar — é refinar. E é exatamente isso que a Honda fez aqui.
São mais de 2,2 milhões de unidades produzidas. Um número que não aceita discussão. A Pop não é só uma moto: é ferramenta, é porta de entrada, é solução de mobilidade real. E, talvez por isso, carrega um DNA que vem lá de trás, da lendária Honda Super Cub. Simplicidade inteligente. Baixo custo. Resistência quase teimosa.
Na sexta geração, a proposta continua a mesma — mas a execução ficou mais afiada. A primeira grande sacada está onde muita gente nem percebe: na facilidade de pilotagem. A Pop sempre foi democrática, mas agora ela dá mais um passo na direção de quem nunca teve contato com uma moto. E isso fica evidente na eliminação do pedal de freio.
Pode parecer detalhe. Não é. No lugar dele, entra um sistema totalmente operado pelas mãos. A lógica é simples: como numa bicicleta. A alavanca direita atua no freio dianteiro; a esquerda aciona o sistema combinado (CBS), distribuindo a frenagem. Resultado? Menos curva de aprendizado, mais confiança imediata.
E confiança, aqui, vale mais do que potência. Falando nela, o motor segue o conhecido monocilíndrico de 109,5 cm³. Nada de revolução — e nem precisa. São 8,43 cv e 0,945 kgf.m de torque, entregues de forma mansa, previsível e honesta. É um conjunto pensado para o uso urbano real: baixa velocidade, trajetos curtos, eficiência máxima.
A tocada continua leve. Muito leve. Com apenas 88 kg, a Pop mantém aquela sensação quase de bicicleta motorizada — o que explica por que tanta gente começa por ela. E não é força de expressão: uma fatia relevante dos usuários vem direto das duas rodas sem motor.
Mas há evolução técnica importante. As novas rodas de liga-leve com pneus tubeless mudam o jogo no dia a dia. Menos risco em caso de furo, manutenção mais simples, mais segurança. E junto com elas, freios maiores: os tambores cresceram de 110 mm para 130 mm. Na prática? Mais eficiência na frenagem, especialmente em uso urbano constante.
Outro ponto que merece atenção é o design. A Pop continua simples — e isso é proposital. Mas agora tem um visual mais moderno, com carenagens redesenhadas que reforçam robustez sem perder leveza visual. Não tenta parecer o que não é. E talvez esse seja o maior acerto. Ela assume o papel que tem.
No uso prático, tudo continua onde precisa estar: assento amplo, posição de pilotagem acessível, mecânica descomplicada. E há pequenos acenos ao presente, como a possibilidade de porta USB-C — um detalhe que, para quem trabalha com entregas, faz diferença real. Porque sim, a Pop também é ferramenta de trabalho.
No fim, a Honda Pop110i ES 2027 não impressiona pelos números. Ela convence pelo conjunto. Pela lógica. Pela forma como resolve problemas sem criar outros.
Não é sobre emoção. É sobre função. E poucas motos no Brasil entendem isso tão bem quanto ela.