Quatro Rodas

Do rali Dakar para o mundo: a história da Honda Africa Twin

Sucesso da fabricante no rali dos anos 1980 deu origem ao modelo de rua Africa Twin 650

03/10/2019 18:11

O rali Paris-Dakar começou em 1979 sem tanta atenção internacional e ainda mais perigoso do que hoje. Rapidamente ganhou a fama de competição off-road mais desafiadora do planeta. Junto com a notoriedade da prova veio a das motos que venceram o deserto africano, as então nascentes big trail. Modelos de média e alta cilindrada eram capazes de enfrentar longas distâncias e alcançar velocidades maiores.

Nos dois primeiros anos venceu a Yamaha XT 500, que evoluiria para 600 e ganharia a versão Ténéré. O terceiro ano foi a vez da BMW R 80 GS, que na edição seguinte perderia o posto para a Honda XR 550, mas voltaria a vencer três provas consecutivas (1983-1985) já como R 100 GS. A Honda estava decidida a dominar o já popular Dakar em 1986 ao trazer um protótipo para a competição. Chamava-se NXR 750V e foi criada pela divisão esportiva HRC para ser pilotada pelo ex-campeão com a Yamaha Cyril Neveu. Começava uma hegemonia de quatro anos, que em 1988 rendeu o lançamento do modelo de rua XRV 650 Africa Twin.

A nova Honda não era a mesma moto do Dakar, mas trazia muitas referências ao protótipo. Mantinha características como motor em V de refrigeração líquida, suspensões de cursos superiores a 200 mm e aro 21. A estética era definida por um tanque volumoso para mais de 20 litros e grande carenagem frontal. Na pintura, o padrão de competição da marca em branco, azul e vermelho. Seria a nova concorrente da Yamaha XT 600Z Ténéré, usando tecnologia mais recente e entregando rendimento superior. Afinal, tinha um bicilíndrico refrigerado a líquido (57 cv e 6,1 kgf.m) contra um mono a ar (46 cv e 4,5 kgf.m). Por outro lado, isso deixava a Africa Twin mais pesada que a Ténéré.   

Em 1989 a Yamaha revidou ao ampliar a linha com a mais sofisticada XTZ 750 Super Ténéré. Incorporava um motor de 2 cilindros paralelos refrigerado a líquido com comando de válvulas duplo e 5 válvulas por cilindro. A receita rendia até 70 cv e 6,8 kgf.m. No ano seguinte a Honda retrucou elevando a cilindrada para a XRV 750 (62 cv e 6,4 kgf.m). Este foi o ano do fim da hegemonia da marca no Dakar, quando todos foram surpreendidos pela Cagiva Elefant 900. Em 1991 a Yamaha voltou a dominar com o protótipo YZE 750T, que venceria seis vezes com Stéphane Peterhansel.

A Africa Twin continuou sendo atualizada até sair de linha em 2003, quando a Ténéré da Yamaha já não existia. O novo milênio viu a ascensão da austríaca KTM, que desde 2001 vence o Dakar. O modelo Africa Twin foi ressuscitado para a linha 2016 retomando o aro dianteiro 21 com motor de 2 cilindros (paralelos). E agora chega à segunda geração passando de CRF 1000L para CRF 1100L Africa Twin

 

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