Quatro Rodas

Coluna: eu e Rossi, Rossi e eu...

O colunista de Duas Rodas Fausto Macieira fala dos vários encontros que teve ao longo dos anos com o multicampeão Valentino Rossi

15/05/2014 11:18

Fausto Macieira é repórter do SportTV e colunista de Duas Rodas

A primeira vez em que encontrei Valentino Rossi pessoalmente foi no ano de 1996, no saudoso Rio Grand Prix. Pilotos, equipes e organização ficavam em um hotel na avenida Niemeyer, à beira-mar, e a imprensa foi convidada para um coquetel de boas vindas. Lá pelas tantas, ele surgiu com aquela cabeleira esquisitona parcialmente escondida sob um chapéu de caçador. Carregava uma mochila, que tirou das costas, abriu e começou a encher de doces e salgados. Em seguida cumprimentou algumas pessoas e foi embora na surdina. Poucos repararam nele. Acho que aquela comilança não caiu bem, porque ele se deu mal na corrida e não pontuou. Mas voltou com tudo no ano seguinte e venceu no Rio pela primeira vez.

Em 1998, por conta dos problemas (crônicos) no asfalto, perdemos nosso GP para a Argentina. E Rossi mostrou sua arte no autódromo Oscar Galvez, colocando 5 segundos à frente do bicampeão das 125 Loris Capirossi e abrindo colossais 27 segundos para o francês Olivier Jacque, 3º colocado e futuro campeão mundial (em 2000).

Em 1999, de asfalto novo importado da Alemanha, os azes da motovelocidade voltaram para cidade maravilhosa, onde o saudoso Norifumi Abe, ídolo do então jovem Valentino (quem se lembra do “Rossifumi”?), faturou as 500. Aquele domingo carioca coroou dois campeões do mundo, o discreto Alex Crivillé nas 500 e o aloprado Valentino Rossi nas 250, com direito a uma célebre volta de comemoração com seu “anjo da guarda” na garupa, momento divertido que foi eternizado em brinquedos e miniaturas pelo mundo afora.

Milênio novo e Rossi começando com a mão direita no fundo nas 500, saindo vencedor de um duelo emocionante com Alexandre Barros em uma corrida histórica que deu título a Kenny Roberts Junior, o único caso de pai e filho campeões mundiais de motovelocidade. E 2001 foi outro ano “Rossi in Rio”, particularmente interessante para mim. Naquela época eu tinha uma chefe de personalidade difícil e tremendamente estressada. Eu o havia entrevistado na manhã de sexta-feira para o SporTV, mas a chefe mandou que eu fizesse outra entrevista no fim do dia. Ele já era um astro consagrado, cheio de compromissos e assediado pelos fãs. Argumentei que as sessões de sexta-feira (no formato antigo) não importavam muito, serviam para ajustar as motos, etc. Não adiantou. A saída foi chamar o Uccio, desde sempre amigo-do-peito de Rossi, apontar a tal chefe e dizer: “Você já teve chefe mulher?” Ele respondeu que não e eu emendei: “Sorte a sua, aquela baixinha invocada é minha chefe e me disse que se eu não entrevistar o Rossi de novo vai me demitir. Aí é a minha mulher que não vai gostar...” Ele riu da minha aflição e falou com Rossi, que olhou para minha cara de pedinte e concordou. Ainda bem, porque a chefe nervosinha acabou demitida e eu continuo lá, haha.

O ano seguinte foi o segundo de “título in Rio”, com direito a uniforme da seleção brasileira, que havia vencido a Copa do Mundo de futebol pela quinta vez. A corrida aconteceu no sábado e a festa do campeonato de Rossi detonou a noite carioca. Dias depois estive no mesmo restaurante da festa e os garçons me mostraram as fotos da festa privada de Valentino Rossi e sua trupe. Uma pena que naquele tempo não havia celulares com câmera para capturar as imagens, mas foi uma festa digna das 1001 noites, com o italiano de sultão...

Em 2003 todos nós esperávamos outra grande disputa com o herói local Alexandre Barros, então piloto oficial da Yamaha, mas a moto não correspondeu e Vale venceu com facilidade, formando um pódio inteiro da Honda, com Sete Gibernau e Makoto Tamada.

No último ano de Jacarepaguá, 2004, Rossi caiu, abandonou e ficou à beira da pista “secando” Gibernau, que acabou no chão pouco depois. Tamada venceu e Barros, em seu “ano Honda”, chegou em 5º. Aí o sonho acabou e saímos do calendário. Entre outras perdas, foram-se as conversas divertidas com o astro-rei da motovelocidade.

Voltamos a nos encontrar na Holanda, no ano passado, em cinco valiosos minutos de prosa antes que o “Doutor” vencesse pela 106ª vez na carreira. Ele não chegava ao topo do pódio desde 2010. Já neste ano, a passagem pelo Brasil antes da etapa nos Estados Unidos foi um banquete: 25 minutos de bate-papo e uma hora de conversa no Linha de Chegada, do SporTV, junto com Alexandre Barros e o repórter Anselmo Caparica. Entre todos os assuntos emocionantes e divertidos que surgiram, o mais importante foi um que há tempos eu queria levantar, mas estava me sentia constrangido: o acidente fatal do ex-campeão das 250 Marco Simoncelli (vizinho e amigo, morto aos 24 anos), onde Rossi esteve diretamente envolvido. “Foi o pior acidente da minha vida, levei muito tempo para me recuperar.” Palavras de um verdadeiro e eterno campeão...

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