Quatro Rodas

Clássica: enduro para iniciantes

Depois do sucesso da DT, Yamaha criou versão reduzida para conquistar jovens aspirantes a motociclista

25/08/2016 14:38

O ano era 1968, aquele conhecido pela turbulência político-social, e que marcaria também o início de uma nova fase no motociclismo: a popularização das motos todo-terreno, ou trail. Até então as opções mais usuais se limitavam a versões scrambler (adaptações de modelos convencionais para asfalto) e modelos menos acessíveis para uso efetivamente off-road, quando a jovem Yamaha de apenas 12 anos chegou com a DT. Foi a moto certa, no momento certo.

A primeira DT foi concebida para ser uma moto de uso misto, que logo agradou quem queria um modelo relativamente rápido, com estética interessante e preço acessível (cerca de 750 dólares), bem como amadores do off-road e até esportistas nem tão amadores conquistados pela conveniência do novo modelo, que também poderia rodar nas cidades. Era uma 250cc de 2 tempos com 1 cilindro refrigerado a ar capaz de render 18 cv, 5 marchas e aro dianteiro de 19 polegadas. Rapidamente superou as expectativas de vendas e ajudou a popularizar a marca internacionalmente, em especial nos Estados Unidos.

Em 1971, antes mesmo de a Honda lançar a XL 250 Motosport, a Yamaha já estava ampliando a linha com variações de menor cilindrada como CT 175, AT 125, HT 90, JT 60 e FT 50 (a primeira letra correspondia à capacidade do motor e a segunda designava “trail”). Estas duas últimas, mais conhecidas como Mini Enduro, eram a DT miniaturizada: aros de 15 polegadas, quase a metade do peso e do preço fizeram com que a Mini Enduro se tornasse objeto de desejo de jovens iniciantes no motociclismo e acomodasse também adultos de menos de 1,70m. Mais tarde viria a Moto-Bike, uma bicicleta BMX com características que imitavam uma moto e que fechava o ciclo de conquista de novas gerações de motociclistas, neste caso as crianças.    

A Mini Enduro original é a FT-1 50, que para os Estados Unidos foi exportada com motor de 60cc, para-lama dianteiro alto, sem luzes de sinalização e com velocímetro em milhas. Usava um câmbio de 4 marchas mais simples, todas engatadas para baixo, fator adicional para torná-la amigável aos iniciantes. Também contava com o sistema Autolube da DT, que misturava o óleo à gasolina a partir de um reservatório separado para até 1 litro, evitando assim a necessidade de adição no tanque a cada abastecimento.

As FT 50 e JT 60 foram produzidas por dois anos e então substituídas pelas GT 50 e GT 80, seguindo a atualização de design da DT 250 e adotando a nova geração de motores com Torque Induction, o sistema de válvula de palhetas que variava a abertura na admissão atuando para aumento de torque em baixas rotações. Outras características facilmente identificáveis no novo motor eram o cilindro mais vertical e o carburador visível, uma vez que na FT ficava embutido na lateral direita do cárter, com o pino do afogador instalado logo acima dessa grande tampa ovalada.       

Com seus 4 cv e capacidade para acelerar até 70 km/h a Mini Enduro iniciou legiões de motociclistas nos anos 1970, que aprenderam com ela a trocar de marcha e começaram a dar seus saltos para ingressar no motocross ou no enduro. Mais tarde, boa parte se transformaria em donos de DT, XL, XT...

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