Clássica: Ducati Mark 3

Motor com comando de válvulas desmodrômico da Ducati surgiu em 1967 para aumentar potência

08/02/2017 04:02

O conceito do comando de válvulas desmodrômico sempre associado aos motores da italiana Ducati parece hermético para quem não é iniciado em mecânica. A ideia básica foi criar um tipo de comando para abertura e fechamento das válvulas que eliminasse a mola, responsável pelo retorno da válvula aberta à posição inicial. Nas primeiras décadas do motor à combustão a durabilidade das molas era limitada e a fadiga terminava por quebrá-las. Outros fatores limitantes para obtenção de mais performance na época eram a perda de energia com peças móveis e a tendência à falta de sincronismo em regimes de rotação elevados, levando à “flutuação” (a mola não consegue acompanhar o tempo correto de fechamento da válvula, que não volta à posição a tempo).

Por isso surgiu a arquitetura do comando desmodrômico, do grego “desmos” (controlado) e “dromos” (caminho), em que dois balancins atuem como pequenos braços empurrando a válvula para baixo e a puxando de volta. O acionamento dos balancins continua sendo feito pelo eixo da árvore de comando e seus ressaltos, os cames. A ideia original já estava em desenvolvimento por outros fabricantes no início do século 20 para equipar motores de alta performance, capazes de atingir rotações mais altas e alcançarem assim potência superior, mas se consagrou definitivamente na Mercedes-Benz W196 que venceu dois campeonatos seguidos de Fórmula 1 em 1954 e 1955.

O sistema desmodrômico já fora tentado sem sucesso pelos ingleses da Norton quando o projetista da Ducati Fabio Taglioni construiu sua versão e equipou a 125cc de competição em 1956 para tentar bater as NSU, Mondial e MV Agusta. A produção em série esperaria até a década seguinte para estrear nas Mark 3, em versões mais caras com este cabeçote que recebiam o sobrenome Desmo. A linha Mark 3 era composta por modelos esportivos leves de baixa cilindrada, 250/350/450cc de 1 cilindro e alta compressão, lindamente vermelhas com prata (azul e amarelo foram outras opções): tinham guidão baixo, ajuste rápido da caixa de direção, câmbio de 5 marchas e o assento que se elevava na porção traseira, embora pudesse levar garupa. Também desta concepção monocilíndrica derivaram na mesma época as Scrambler exportadas para os Estados Unidos.     

Começa a fase das bicilíndricas

A partir de 1970 a Ducati começou a se reinventar com motores V2 e capacidades cúbicas maiores. Foram projetadas para competições as 500cc e 750cc, esta última vencedora em 1972 das 200 Milhas de Ímola com o piloto inglês Paul Smart. Já existiam nas ruas as versões Sport e GT (assento maior), mas somente dois anos após o modelo mais representativo desta fase entrou em produção, a 750 Super Sport Desmo com a inovadora carenagem de série em referência à carreira vitoriosa nas pistas de corrida.

Hoje os comandos de válvulas evoluíram em novas configurações como Unicam e de atuação variável com assistência eletrônica, a qualidade das molas já não é um problema e para aplicações extremas foram criados os sistemas pneumáticos de alta precisão como os que comandam as válvulas nos monopostos da F1. A Ducati se vinculou ao diferencial do comando desmodrômico adotado na década de 1960, que seguiu desenvolvendo e aprimorando com novas configurações.

 

 

 

 

 

 

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