26/02/2026 11:07
Texto e fotos: Edu Pincigher
A primeira impressão ao se aproximar da Bajaj Pulsar N150 é clara: ela não quer ser apenas mais uma 150 urbana. Há uma intenção estética evidente, quase provocativa, de entregar algo além do básico. Em um segmento tradicionalmente dominado por motos racionais, criadas para trabalhar duro e ter preços acessíveis, N150 ousa flertar com a esportividade, com linhas angulosas, tanque musculoso e um conjunto ótico que transmite personalidade. Não é exagero dizer que, parada, ela já comunica dinamismo.
E você já começa a delinear o perfil do usuário da Pulsar N150 nessas primeiras linhas. Talvez não seja o usuário típico de motos de entrada, isto é, aquele trabalhador que roda 150 km ou 200 km/dia e faz uso de sua moto para entregas. Não que ela não sirva para isso. Há até algumas aptidões mecânicas do modelo de entrada da Bajaj que são invejáveis para o segmento. É que esse comprador custa a se desligar do universo da CG: ele faz constantes trocas de óleo, pastilhas, lonas de freio... e dificilmente vai arriscar adquirir qualquer outra moto, justamente por conhecer profundamente os preços e a disponibilidade de entrega de peças do pós-venda da Honda. Até Yamaha esse cliente reluta em comprar!
Mas nem todo usuário de uma moto de entrada faz uso tão intenso de seu modelo. Talvez a Bajaj esteja de olho nesse comprador. Gigante indiana que construiu reputação global apostando em tecnologia acessível, a Bajaj apresentou a Pulsar N150 em 2025 com a proposta de oferecer um produto desenhado exatamente para esse tipo de brasileiro. Alguém mais exigente, que quer economia, mas também quer design e conectividade.
O motor monocilíndrico de 149 cc entrega números competitivos dentro da categoria, mas o que realmente importa é como ele se comporta no uso real. E aqui está um dos pontos altos da N150. A resposta ao acelerador é progressiva, sem trancos, e a curva de torque privilegia o uso urbano. Não é uma moto que exige rotações elevadas para mostrar serviço. Pelo contrário: ela trabalha bem em médias rotações, permitindo trocas de marcha suaves e retomadas honestas no trânsito pesado. Você já está em quinta marcha a menos de 50 km/h. E tudo bem.
A mais macia de todos os tempos
Ah, e isso vale uma menção especial: eu não me lembro de outra motocicleta nos últimos 250 anos... que tenha me oferecido um manete de embreagem tão macio. Para quem encara um engarrafamento pesado, isso faz uma tremenda diferença a favor do conforto.
No anda e para das grandes cidades, a leveza de todo o conjunto faz, realmente, diferença. Não é só a embreagem. A ciclística é equilibrada, com quadro rígido o suficiente para transmitir segurança, mas sem sacrificar conforto. A posição de pilotagem é levemente inclinada para frente, remetendo a motos de maior apelo esportivo, porém sem comprometer a ergonomia. Quase uma “nakedzinha”. O banco é bem desenhado e acomoda piloto e garupa com dignidade.
A suspensão dianteira absorve bem irregularidades urbanas, enquanto o monoamortecedor traseiro (olha aí o capricho para começar a conquistar novos clientes) mantém a estabilidade mesmo quando o asfalto deixa de colaborar. Não há excesso de maciez nem rigidez exagerada. O acerto parece ter sido pensado para o Brasil, onde o piso nem sempre é previsível. Ela ainda tem chave-geral no manete direito, protetor de motor, cavalete central e um segundo para-lama na roda traseira.
No quesito frenagem, a N150 transmite confiança. O freio dianteiro tem boa progressividade e resposta consistente. Em frenagens mais fortes, a moto mantém a trajetória sem sustos – possui ABS só na roda dianteira. É um conjunto coerente com a proposta da motocicleta. Não se trata de uma máquina radical, mas de uma urbana com atitude.
É no visual que ela encanta
Visualmente, a Pulsar N150 chama atenção pelo conjunto ótico full LED, pelo painel digital e pelo acabamento que surpreende positivamente. O painel oferece informações bem distribuídas, embora sua leitura não seja das melhores nos dias de sol. Há indicador de marcha, marcador de combustível preciso e dados que ajudam no dia a dia. Para um modelo de entrada, o nível de tecnologia embarcada é um diferencial competitivo. Há conectividade embutida pelo app Bajaj Ride Connect e entrada USB.
O tanque robusto não é apenas recurso estético. Ele contribui para gerar uma ótima autonomia. Em uso misto, é possível alcançar médias de consumo bastante satisfatórias, acima dos 45 km/l, mo que reforça seu perfil racional. Economia, aliás, é palavra-chave aqui. A proposta da Bajaj é oferecer custo-benefício agressivo, e a N150 cumpre esse papel sem parecer simplista.
No trânsito urbano, a moto se mostra ágil. A largura do guidão facilita desvios rápidos, e o raio de giro ajuda nas manobras apertadas. É uma moto que conversa bem com iniciantes, mas também agrada motociclistas mais experientes que buscam um meio de transporte eficiente e estiloso para o cotidiano.
Em trechos de rodovia, dentro de seus limites naturais de cilindrada, ela mantém estabilidade coerente. Evidentemente não é uma máquina feita para longas viagens em alta velocidade, mas suporta deslocamentos intermunicipais sem drama. A vibração é controlada, e o motor trabalha com suavidade dentro da faixa de uso adequada – dá uma ligeira “vibradinha” na faixa de 6.500 rpm, mas logo passa. Chega a 120 km/h de velocímetro.
Há também um aspecto emocional que merece destaque. A Pulsar N150 não parece um produto genérico. Ela carrega identidade. Em um mercado onde muitas motos de baixa cilindrada são parecidas, a Bajaj aposta em personalidade visual e proposta mais envolvente. Isso tem peso.
No mercado...
Comparando com concorrentes diretas como a Honda CG 160 Fan e a Yamaha YBR 150, a Pulsar N150 se posiciona como alternativa mais moderna em termos de design e tecnologia embarcada. Enquanto os modelos das marcas japonesas carregam tradição e ampla rede consolidada, a Bajaj surge com proposta ousada, apostando em custo competitivo e pacote visual diferenciado. A decisão do consumidor, nesse cenário, passa a envolver não apenas confiança histórica, mas também desejo.
É importante mencionar que a consolidação da marca no país ainda está em construção. A rede de concessionárias já ultrapassou os 60 pontos de venda, bem como parece haver boa disponibilidade de peças. Ainda não se pode aferir, contudo, o valor de revenda. Porém, avaliando exclusivamente o produto, a N150 demonstra maturidade técnica e coerência de projeto.
Se há críticas, elas passam por ajustes finos que podem evoluir com o tempo, caso da leitura do quadro de instrumentos. No fim das contas, a Bajaj Pulsar N150 representa algo maior que uma simples motocicleta de 150 cc. Ela simboliza a entrada definitiva de uma nova concorrente disposta a mexer com o segmento mais tradicional do Brasil. Em janeiro deste ano, ela já passou a fazer parte da lista de dez motos urbanas mais vendidas do país. Ainda muito distante dos volumes de CG ou YBR, mas ela está lá.
Para o motociclista urbano que deseja sair do óbvio, que busca economia sem abrir mão de personalidade, a N150 surge como opção consistente. Não é apenas transporte. É uma declaração de que mesmo na baixa cilindrada há espaço para atitude. E talvez seja exatamente isso que torne a Pulsar N150 relevante: ela prova que racionalidade e emoção podem, sim, dividir o mesmo tanque. Por R$ 16.300, olha, é pra se pensar com carinho.