Quatro Rodas

Análise: Fausto Macieira faz um balanço da primeira etapa do Mundial de Motovelocidade

Colunista de Duas Rodas analisa o GP do Catar, que abriu a temporada 2015, e prevê um ano de ouro para as três categorias do Mundial

30/03/2015 11:43

Nas três categorias do Mundial de Motovelocidade, tudo indica uma grande temporada. Na MotoGP, o grid mais consagrado da história, com 19 (de 25) pilotos vencedores de GP, sete deles na categoria principal, reunindo nada menos que 28 títulos mundiais e monumentais 390 vitórias. Na Moto2, 15 vencedores de GP, com cinco títulos mundiais e 83 vitórias na bagagem. Na Moto3, apenas quatro dos 33 pilotos têm mais de 21 anos, e entre eles o mais novo da história, o francês Fabio Quartararo, que aos 15 anos e 343 dias estreou no Catar com uma grande corrida.

Falando em Catar, a única corrida noturna do calendário abriu o campeonato pela nona vez consecutiva, e a edição 2015 foi digna das mil e uma noites e mil e uma curvas. Na MotoGP, a grande expectativa era a estreia da nova Ducati GP15, assim como o retorno de Suzuki e Aprilia e o desempenho dos novatos Maverick Viñales e Jack Miller. E a Ducati não decepcionou, com a pole para Andrea Dovizioso, que teve as Honda de Dani Pedrosa e Marc Márquez ao lado dele na primeira fila. Mais duas máquinas italianas decolaram da segunda fila, com Andrea Iannone e o surpreendente colombiano Yonny Hernandez, deixando na poeira as Yamaha oficiais de Jorge Lorenzo (6º) e Valentino Rossi (8º).

A corrida foi cheia de emoções, pois Pedrosa e Márquez largaram muito mal e os azuis da Yamaha partiram para cima das motos vermelhas da Itália. Lorenzo, Dovizioso e Iannone dispararam na ponta e se revezaram na liderança, até que Rossi se aproximou e atacou com tudo, ultrapassando Lorenzo e Iannone para abrir um duelo espetacular com Dovizioso. Depois de muito passa-repassa, (mais) uma vitória antológica do “Doutor”, que começou a 20ª temporada dele no Mundial no topo de um pódio todo italiano, com Dovizioso e Iannone fazendo uma extraordinária dobradinha da Ducati.

Foi a vitória de nº 109 de Rossi, 70ª na MotoGP, desempatando o placar de 87 a 87 no duelo com a Espanha na categoria principal. Os pilotos espanhóis tiveram uma noite péssima e ficaram fora do pódio nas três categorias, o que não acontecia desde o GP da China de 2005. Para completar, pouco depois de cruzar a linha de chegada, Dani Pedrosa, sexto colocado e superado mais uma vez pelo companheiro Márquez – que errou a curva 1 e saiu em último –, declarou que vai deixar o campeonato temporariamente para tratar-se de um persistente problema que faz seu braço direito inchar e perder a sensibilidade. O problema é comum entre pilotos, e em geral uma pequena operação que remove a membrana que reveste o músculo resolve a situação. Mas Dani já operou duas vezes e o braço continua a inchar.

Não se sabe ainda quem será o substituto, e já se fala no aposentado Casey Stoner, que curiosamente também abandonou o campeonato por problema de saúde, em 2009, quando era piloto oficial da Ducati. Casey tinha alergia a lactose, e depois de alguns meses voltou a competir e venceu mais um título mundial em 2011. Outros nomes cotados são Cal Crutchlow e Scott Redding, das equipes satélites da Honda, e Sylvain Guintoli, atual Campeão Mundial de Superbike.

Moto2

Na Moto2, a corrida foi, por assim dizer, de eliminação. Os três favoritos ao pódio – e ao título mundial – largaram na primeira fila e comandaram a prova no início, mas a coisa começou a mudar logo na quarta volta, quando o inglês Sam Lowes, que havia largado na pole position, e brigava pela liderança com o francês Johann Zarco, errou uma trajetória e foi ao chão. Segundo ele, entrou um falso neutro na caixa de câmbio. Na volta seguinte, Tito Rabat, o atual número 1 da categoria, que também teve problemas de engate de marchas, tentou superar o italiano Simone Corsi na curva 1. Corsi fechou a trajetória, Rabat bateu na traseira dele, ambos foram ao chão e tiveram que abandonar a corrida.

Com os acidentes, a corrida ficou nas mãos do francês Johann Zarco, que abriu grande diferença do alemão Jonas Folger, segundo colocado, até que a cinco voltas do fim, ele foi mais uma vítima do câmbio da sua moto de 600cc; a caixa de marchas da Kalex com motor Honda (monomarca na categoria) travou em 3ª marcha, e na tentativa de engatar marchas com a mão Zarco quase bateu no muro dos boxes em plena reta.

Com o problema, a liderança ficou com o alemão Folger, que conquistou sua primeira vitória na Moto2 e a terceira na carreira, um grande feito para a equipe AGR Racing, do chef de cozinha Karlos Arguiñano, que comemorou com um jantar a inédita vitória e, de quebra, a liderança do campeonato. O belga Xavier Simeon e o suíço Thomas Luthi completaram o pódio. Quem andou muito bem foi o ítalo-brasileiro Franco Morbidelli, que brigou em um pelotão feroz, esteve no pódio e terminou em quinto. Zarco conseguiu completar a corrida na oitava colocação.

Moto3

Na categoria menor, o pole-position Alex Masbou venceu uma corrida onde nada menos 17 pilotos brigaram sem tréguas pela vitória da primeira à última curva. O português Miguel Oliveira, um dos favoritos, caiu na curva 1 e ficou fora da zona de pontos de uma corrida onde os esquadrões Honda e Mahindra foram superiores no combate com as outrora velocíssimas KTM.

Enquanto os experientes Masbou (27 anos) e Efren Vazquez (28 anos) enfrentavam a garotada, capitaneada pelo francês Fabio Quartararo, de 15 anos – mais jovem piloto da história da Moto3 –, o italiano Enea Bastianini, de 17 anos, que havia largado em 21º, veio enfileirando ultrapassagens para assumir a ponta na última volta, mas foi superado sobre a linha por Masbou, que aproveitou o vácuo da grande reta e venceu por meros dois centésimos de segundo. O inglês Danny Kent completou o pódio, seguido de Efren Vazquez e John McPhee, todos com Honda. Quartararo, que chegou a liderar a corrida, se perdeu no pelotão e terminou em oitavo. Mas não se iludam, estamos vendo o amanhecer de um grande campeão.

De Valentino Rossi, 36 anos, o mais velho, a Fabio Quartararo, 15 anos, o mais novo, o Mundial de Motovelocidade é, sem sombra de dúvidas, o maior espetáculo motorizado da face da Terra. E está apenas começando...

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