10/04/2026 09:17
O ritmo segue forte. Mais do que isso, consistente. As fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus atravessam um início de ano em plena aceleração, com 561.448 motocicletas produzidas no primeiro trimestre. O número não só representa um avanço de 12,1% sobre o mesmo período de 2025, como também confirma o segundo melhor desempenho da história para esse intervalo. Os dados são da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).
Os resultados mostram um setor que encontrou tração e, ao menos até aqui, mantém o motor girando em alta. Março, em especial, foi emblemático: 212.716 unidades saíram das linhas de montagem — o melhor resultado mensal já registrado. Na comparação anual, o salto foi de 34,5%. Frente a fevereiro, alta de 29,6%. Números que não deixam espaço para dúvida: há demanda, e a indústria está respondendo.
“O resultado reafirma o bom momento do segmento”, resume Marcos Bento, presidente da Abraciclo. Mas o discurso não ignora o horizonte. Entre variáveis externas e riscos internos, como o cenário internacional e a já conhecida ameaça de estiagem na região amazônica, o setor segue atento. Ainda assim, a leitura é clara: o crescimento deve continuar.
Para 2026, a projeção é de 2,07 milhões de motocicletas produzidas, avanço de 4,5% sobre o ano anterior. Um crescimento mais moderado, é verdade, mas dentro de um contexto de consolidação.
Segmentos
A liderança segue com as Street, que somaram 290.340 unidades no trimestre — mais da metade de toda a produção (51,7%). Na sequência aparecem as Trail (20%) e as Motonetas (13,1%). Um retrato fiel de um mercado ainda fortemente ancorado na mobilidade urbana e no uso prático.
Quando o recorte é por cilindrada, não há surpresa: as motos de baixa cilindrada dominam com folga. Foram 435.731 unidades no trimestre, o equivalente a 77,6% do total. As médias respondem por 19,7%, enquanto as de alta cilindrada permanecem em um nicho mais restrito, com 2,7%.
Varejo acompanha
Se a produção cresce, o varejo não fica atrás. Pelo contrário. O mercado registrou recordes tanto no acumulado do trimestre quanto em março.
Nos três primeiros meses do ano, foram 571.728 motocicletas licenciadas — alta expressiva de 20,6%. Março, novamente, puxou o ritmo: 221.618 unidades emplacadas, com crescimento de 33,5% sobre o mesmo mês de 2025. Na prática, isso significa mais de 10 mil motos vendidas por dia útil.
A projeção para o ano é igualmente robusta: 2,3 milhões de unidades licenciadas, avanço de 4,6%. Um mercado que não apenas reage, mas sustenta uma trajetória de expansão.
Exportações em recuperação
No front externo, os números também avançam. As exportações cresceram 18,6% no trimestre, com 11.441 unidades embarcadas. Março respondeu por 4.606 delas, mantendo o ritmo positivo tanto na comparação anual quanto na sequência mensal.
Para o fechamento de 2026, a expectativa é de 45 mil unidades exportadas — crescimento de 4,4%. Ainda distante dos grandes volumes do passado, mas em clara trajetória de recuperação.
50 anos de estrada — e um papel consolidado
Em meio a esse cenário, a Abraciclo celebra cinco décadas de atuação. Fundada em 1976, a entidade chega aos 50 anos como peça-chave na estruturação da indústria de duas rodas no Brasil. As celebrações oficiais vão ocorrer durante o Suhai Festival Interlagos – Edição Moto, evento que a Abraciclo adotou como “oficial do setor”.
A atuação segue ancorada em três pilares: política industrial, segurança viária e desenvolvimento técnico. Um tripé que ajudou a transformar o país em um dos principais polos globais do setor — e o maior fora da Ásia. “É uma indústria que se destaca pela qualidade, inovação e valor agregado”, destaca Bento.
Mais do que números, o momento atual reforça uma leitura: o setor amadureceu. Cresce com consistência, ajusta sua estrutura e acompanha — com precisão — as mudanças do mercado. E, ao que tudo indica, ainda há estrada pela frente.