Duas Rodas
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Comparativo: Harley-Davidson 48 x Indian Scout

Com praticamente o mesmo preço e motores de 1.200cc, modelos são interpretações diferentes do jeito americano de andar de moto

27/04/2017 às 17h53m

As marcas centenárias Harley-Davidson e Indian, tão representativas da história americana da motocicleta, vêm interpretando essa tradição de maneira diferente em seus modelos. A primeira mais arraigada a raízes e resistente a mudanças tecnológicas, costuma inovar na pintura e design de acessórios; já a Indian é tecnológica nas entranhas (chassis de alumínio, motores de refrigeração líquida) e remete a modelos do passado através das linhas estilizadas. Exemplo claro disso está na categoria das 1200 Forty-Eight e Scout, modelos que têm um tempero esportivo e custam respectivamente R$ 46.900 e R$ 47.990 (a Indian está com desconto de fábrica). 

Ambas são compactas, esguias e baixas, mas visualmente a Scout se impõe pelas linhas alongadas de tanque e para-lamas. Aliás, o reservatório de estilo “peanut” (amendoim em inglês) da Harley comporta apenas 7,9 litros contra 12,5 litros na concorrente, o que também não é muito, mas de qualquer forma quase 60% mais. Autonomia não é uma prioridade porque as duas são bastante urbanas, no máximo se prestam a viagens curtas, porque o estilo aqui vale mais que recursos para conforto.   

Bancos baixos, ambos em formato de selim com a parte da frente mais estreita (por onde passam as pernas), as tornam virtualmente acessíveis a pessoas de qualquer estatura. Na Indian a pilotagem é facilitada por uma leveza nas manobras até impressionante para seu porte, não requer esforço, enquanto a Harley exige certa força apesar dos pesos similares. São os efeitos de uma base mais antiga, com centro de gravidade alto e ângulo de direção maior. Na prática a fazem parecer 50 kg mais pesada.  

As posições de pilotagem também favorecem a Scout, mais natural e com banco mais confortável, já na Forty-Eight o guidão mais baixo obriga a se inclinar para frente, causando cansaço. Para deixar o design traseiro “limpo” exibindo inteiramente a curvatura do para-lama nenhuma vem com banco para passageiro (R$ 2.600 nas concessionárias Indian e R$ 1.800 nas da Harley). Como em todas as Sportster esta herda as pedaleiras excessivamente largas, afastadas do centro da moto, o que pede atenção ao passar em espaços apertados no trânsito, onde a Scout se sai com desenvoltura graças ao guidão estreito. Os espelhos retrovisores embaixo do guidão da Forty-Eight marcam seu estilo mais rebaixado e agressivo quando comparado aos das companheiras de família, mas não se vê nada neles além do próprio corpo do piloto.

Duas gerações

O V2 da Harley é o Evolution refrigerado a ar de 1.202cc, com 2 válvulas por cilindro, um projeto do início dos anos 1980. Em marcha lenta vibra a ponto de fazer o piloto tremer e tornar as imagens nos retrovisores ininteligíveis. Embora o torque absoluto da Indian (1.133cc refrigerado a líquido com 4 válvulas por cilindro) seja maior, somando 9,9 kgf.m a 5.900 rpm, na Harley os 9,3 kgf.m já estão disponíveis a somente 3.500 rpm. Não é suficiente para levar a Forty-Eight mais rápido a 100 km/h, fica 1s6 atrás, porque perde feio em potência (as marcas não informam os números, estimados ao redor de 100 cv e 70 cv). O V2 da Indian despeja força na roda traseira de maneira mais progressiva, alcança rotações maiores auxiliado pela alimentação das oito válvulas e conta com a 6ª marcha para rodar em velocidade de cruzeiro produzindo menos ruído, vibração e consumo de gasolina.

No primeiro teste que fizemos com a Scout reparamos que em curvas de alta velocidade oscilava excessivamente, fica claro que as suspensões possuem pouca resistência à carga. Segundo uma fonte da Indian, este problema tem sido resolvido com a troca de óleo da suspensão dianteira nas revisões destas motocicletas por um mais viscoso. A moto testada não apresentou o mesmo comportamento, o que sugere que a mudança surtiu efeito, porém, quanto à insuficiente capacidade dos amortecedores traseiros ao absorverem a enorme demanda de nossos buracos, no modelo 2017 serão substituídos. A Harley teve as suspensões trocadas recentemente, a tornando firme na frente e reduzindo a tendência ao fim de curso dos amortecedores traseiros, problema crônico que durante anos alimentou um mercado de reposição para troca dos componentes. Nas curvas sua limitação vem das pedaleiras largas tocando o asfalto precocemente. Nenhuma das motos conta com molas para retorno das pedaleiras à posição inicial, um pecado em modelos dessa faixa de preço.

Quanto aos freios, apesar das duas terem sistemas assistidos por ABS, a Forty-Eight tem tato mais borrachudo e exige muito mais força aplicada à alavanca e pedal. A 100 km/h precisa de 10 metros a mais até parar, diferença astronômica numa situação de emergência. Os sistemas ABS das duas atuam de modos opostos, o da Harley mais precoce alongando as frenagens e o da Scout até atrasado em alguns casos, quando permite rápidas “cantadas” de pneu começando a travar.

Assim como as motocicletas têm DNAs diferentes, os compradores de cada uma devem ter ambições diversas: a Indian Scout entrega mais performance, agilidade e é mais agradável para rodar, enquanto a Harley Forty-Eight é uma representação do estilo “old school” de se pilotar, com menos conveniência e mais “barulho” passando pela rua.

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