Duas Rodas
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Uma CB para poucos

Em 1983, quem tinha dinheiro no Brasil comprava uma Honda CB 400. Para quem queria (e podia) mais havia a 440 S da Projeto H

11/04/2017 às 14h48m

A proibição às importações de motos em 1976 serviu para estimular a indústria nacional, mas reduziu drasticamente o número de opções 0 km. Em especial de média e alta cilindrada. A Motovi montava em Manaus (AM) a Harley-Davidson Electra Glide 1200 e havia a nacional Amazonas com motor boxer VW; caso esse estilo ou o preço não agradasse só restava o vasto cardápio de japonesas usadas. Em 1980 nem as Harley eram mais montadas no Brasil quando a Honda lançou uma variação da CB 400 de 2 cilindros já vendida no Japão, nos Estados Unidos e na Europa. Produzindo 40 cv a 9.500 rpm e 3,2 kgf.m de torque a 8.000 rpm acelerava de 0 a 100 km/h em 7s e atingia 160 km/h.

Era o máximo que se podia comprar na época – CBX 750F e Yamaha RD 350LC só chegariam em 1986 –, e na falta de alternativas começou um fenômeno de pinturas personalizadas, kits de carenagem e acessórios para diferenciação. A mais sofisticada destas iniciativas partiu da concessionária paulistana Projeto H em 1983 e foi batizada de CB 440 S. Pouco antes do lançamento da nova CB 450 pela Honda a concessionária importou peças e não só incrementou a parte estética da CB 400, mas também melhorou a performance de motor, suspensões e freios.

Partindo de uma CB 400 II 1983 foi instalado um kit importado com pistões de maior diâmetro (75 mm contra 70,5 mm, elevando a cilindrada de 395cc para 447cc) e bielas mais leves. O cabeçote foi retrabalhado e a taxa de compressão elevada de 9,3:1 para 9,8:1, carburadores ganharam novos giclês e um radiador de óleo melhorou a refrigeração do motor. Informados como números “estimados”, a potência teria passado a 46 cv a 9.500 rpm e o torque a 3,8 kgf.m a 7.700 rpm, isso associado a uma relação final mais longa permitiu a CB 440 S atingir 175 km/h reais no teste de Duas Rodas publicado em maio de 1983. A aceleração também teve o tempo reduzido a 6s7.

Com o maior potencial para velocidade a estabilidade do conjunto não foi esquecida. O braço oscilante de aço da suspensão traseira foi trocado por uma bela peça de alumínio polido 20 mm mais longa, onde os amortecedores foram instalados com maior inclinação. Para compensar a dianteira teve as bengalas fixadas mais abaixo, o que também rebaixou a CB 440 de forma geral. O garfo recebeu regulagem pneumática e um manômetro preso ao guidão indicava a pressão utilizada. A potência de frenagem também acompanhou os upgrades com discos maiores de 276 mm em vez de 240 mm e duas pinças de dois pistões em vez de um, conjunto originário da CB 750 Bol d’Or (o sistema traseiro permaneceu a tambor).

Efeito “uau”

Junto com as melhorias dinâmicas em relação a CB de fábrica veio uma estética chamativa e mais esportiva para diferenciar a 440 S e valorizar o investimento de quem pagava até 50% mais pela versão da Projeto H. O vermelho predominava em chassi, rodas, bengalas e molas, banco e parte de tanque e laterais, que também recebiam uma faixa azul e tinham uma área prata. Espelhos retrovisores e escapamentos eram pintados de preto fosco. Cabos de vela eram amarelos com cachimbos vermelhos. Arrematando o cuidado com os detalhes, o painel, a rabeta com spoiler integrado, laterais e para-lama dianteiro tinham formato diferente porque vinham da Hawk americana.   

Foi montada somente uma CB 440 S com todos os itens como a que testamos em 1983 – outras foram vendidas com parte do pacote, de acordo com a vontade e o bolso do comprador. Para 1984 a Honda lançou a CB 450 com os mesmos 447cc incorporando parte dos upgrades feitos pela Projeto H. 

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