Duas Rodas
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Comparativo: Ducati Scrambler x Harley-Davidson Sportster Iron 883 x Triumph Street Twin

Cheios de história e estilo característico de cada marca, os três modelos de entrada têm semelhanças nos preços e capacidades dos motores

30/03/2017 às 16h19m

As motos de estilo retrô estão em voga e cada vez mais diversificadas pelas fabricantes. Não por acaso os modelos de entrada de Ducati, Harley-Davidson e Triumph seguem esta identidade que hoje atrai também o público jovem, mas remete ao histórico de cada marca. Ducati Scrambler é a reedição de um modelo da década de 1960; Harley-Davidson Sportster Iron 883 é uma versão da família criada em 1957 para ser a mais leve e esportiva da marca; e Triumph Street Twin é uma variação da Bonneville introduzida em 1959. Todas com motores de 2 cilindros entre 800cc e 900cc, custando R$ 36.500 (Street Twin com preço promocional), R$ 38.900 (Scrambler) e R$ R$ 40.500 (Iron 883). Que tal descobrir qual destas histórias tem mais a ver com você?  

Descoladas todas são, despertam curiosidade na rua e certo saudosismo dos modelos de época que representam. Com pintura fosca e componentes pretos a Iron é a variação mais “bandida” da 883, que a Harley-Davidson julgou mais ao gosto do brasileiro do que o modelo convencional (não mais disponível no Brasil). É despojada no design simplista, no acabamento “rústico” que deixa o chicote elétrico e outras entranhas à mostra, e é tecnologicamente menos adepta à inovação. O V2 refrigerado a ar vibra bastante para os parâmetros atuais, principalmente com a moto parada em marcha lenta, quando o corpo do condutor vibra junto e a imagem nos espelhos retrovisores se torna difícil de decifrar. Assistência eletrônica se limita à injeção e ABS.

A Scrambler era o modelo de uso misto da marca, criado para o mercado americano a pedido de um revendedor californiano – o Estado desértico já foi a meca do cenário off-road mundial, decisivo para a disseminação e criação de modelos nos anos 1960/70 como a Honda CR 250M batizada com o nome da cidade de Elsinore. Voltou à produção com uma releitura do design da época e vocação para off-road leve, na verdade é uma urbana com referências todo-terreno. Painel digital e LEDs são recursos modernos para uma base mecânica que era antiga ao ser reaproveitada no modelo, um V2 a 90° também chamado de L, porque tem o cilindro dianteiro na horizontal e o traseiro na vertical, ainda refrigerado a ar e tem cabeçote de 2 válvulas como na Harley. A eletrônica presente é basicamente a mesma da concorrente.   

Por fim, a Street Twin é a Bonnevile moderna de 900cc que não leva o nome porque sua primogênita foi promovida a 1200, mas a Triumph sabia que seria importante manter um modelo mais despojado e de cilindrada menor como na versão anterior. A Street não traz os cromados da Bonneville, entretanto é fiel à sua história nas formas básicas mesmo sendo uma interpretação contemporânea como é a Scrambler, além de manter a configuração do motor de 2 cilindros paralelos. Este recebeu refrigeração líquida preservando a estética com aletas de refrigeração no exterior dos cilindros, conta com cabeçote de 4 válvulas e eletrônica ride-by-wire, ou seja, o acelerador eletrônico se comunica sem cabos com a central da moto para otimizar as respostas da injeção e permitir a gestão do controle de tração (também tem ABS).

Partindo à prática

Em termos de conforto e ergonomia claramente a Triumph proporciona um passeio mais agradável, seja pela posição de pilotagem, pelo formato e espuma do assento (idem na garupa) ou pela atuação das suspensões. Sem dúvida contribuem a suavidade do motor e pouco calor emitido em direção às pernas, algo que incomoda nas outras duas. O assento da Scrambler tem boas dimensões, porém é duro, e o da Harley recentemente foi revisto com mais espuma, agora peca no formato elevado na extremidade da frente, que pressiona as partes “baixas”.

As posições de pilotagem são tão distintas quanto as estéticas das três: digamos que mais convencional na Triumph, única que possibilita ajuste da distância das alavancas de freio e embragem; na Ducati o piloto fica “encolhido” com pernas e braços excessivamente dobrados porque as pedaleiras são recuadas e o guidão é alto, adicionalmente os pés não têm espaço suficiente para variação de posição uma vez que os calcanhares tocam a ponteira de escapamento de um lado e a balança do outro; na Harley os pés ficam à frente em pedaleiras bem afastadas na largura, que não permitirem aos joelhos se acomodarem nas laterais do pequeno tanque.  

Andando com as três as personalidades decorrentes das concepções de motores, sem falar em números ainda, são facilmente comprovadas pelas respostas ao acelerador. O motor inglês é progressivo e elástico, diferentemente do temperamental italiano que é um pouco “cabeçudo” e cansativo em ambiente urbano ou simplesmente para passear com suavidade, enquanto o Evolution americano é o mais barulhento e de menor performance. A mais potente é a Scrambler com até 75 cv a 8.250 rpm, seguida da Street com 55 cv já a apenas 5.900 rpm e da Iron, que não tem potência divulgada, provavelmente em último. O que equilibra a situação entre as duas primeiras é o rendimento da Triumph até médias rotações, com torque máximo de 8,2 kgf.m disponível já a 3.230 rpm, auxiliando nas acelerações com elasticidade e evitando reduções nas retomadas de velocidade, um rendimento que a torna mais fácil de ser conduzida e prazerosa na cidade. Contra estão 6,9 kgf.m da Ducati a 5.750 rpm e 6,7 kgf.m da Harley a 3.750 rpm. A italiana vai melhor de médias para altas rotações, precisando de 4s40 para atingir 100 km/h, ante 5s51 da inglesa e 7s97 da americana. A disposição do motor da Scrambler também se mostrou maior nas retomadas em última marcha (é a única com 6ª), seguida pela Street Twin.

Essencialmente urbanas

Usamos as motocicletas em quase todas as situações antes dos testes de performance. Na cidade a docilidade na condução da Triumph cativa, se sai bem ao ziguezaguear entre os carros em espaços apertados, o motor com ótimo torque em baixa ajuda. A Harley, por sua vez, é mais pesada para fazer as manobras entre os carros em baixa velocidade, a altura do guidão está na da maioria dos espelhos retrovisores dos automóveis e a largura das pedaleiras preocupa, além de limitarem o raio das curvas por tocarem prematuramente o asfalto. A esportividade da Ducati tem duas faces bem definidas, na cidade o motor é difícil de modular e dificulta a vida do motociclista, mesmo sendo a moto mais leve e ágil nas manobras apertadas do trânsito urbano; basta uma pequena reta ou estrada para ficar tomado pela felicidade de curvar – em nome da esportividade, as suspensões são as mais duras para rodar por ruas esburacadas, mas em asfalto liso proporcionam mais esportividade.

Para frear a Iron exige mais força à alavanca e o ABS parece estar interferindo a qualquer pressão mais forte, o que frequentemente aumenta a distância até a parada completa. As outras duas têm os melhores tatos, com mais potência no sistema da Scrambler, que por outro lado perde para a Street Twin devido à maior intromissão do ABS.

Ao final de tantas comparações, sem dúvida concluímos que um motociclista mais racional, que preza pelo conforto e tocada agradável vai preferir o equilíbrio geral da Triumph Street Twin. Quem está em busca de emoção, gosta de abusar de vez em quando e se divertir em curvas mais arrojadas vai curtir a Ducati Scrambler, ciente de que abre mão de aspectos de conforto. Quem não abre mão da estética americanizada “old school” com o brasão Harley-Davidson no tanque certamente vai de Iron 883, importando menos questões como tecnologia e performance. Para nós, que passamos muitas horas sobre as motos, a inglesa é a melhor escolha.

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