Duas Rodas
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Comparativo big trail: Honda Africa Twin x Yamaha Super Ténéré x BMW F800GS

Se a Honda custa o mesmo que uma Super Ténéré, é melhor ter o conforto da Yamaha? Ou para levar off-road a sério basta a 800GS que custa R$ 19 mil a menos?

30/03/2017 às 15h55m

O barulho causado pelo lançamento da Honda é justificado, a Africa Twin é fácil de pilotar e extremamente desinibida na terra. O ponto negativo está no preço de R$ 65 mil, o mesmo de uma Yamaha Super Ténéré DX que além do motor 1.200cc tem itens de série como aquecedor de manoplas, cruise control e ajuste eletrônico de suspensão. Enquanto isso, no exterior a Africa Twin custo um valor intermediário entre opções de 800cc e 1.200cc... OK, a Super é grande, pesada e sobressai em uso touring, mas dependendo do seu perfil pode ser algo a considerar. Faz mesmo questão de características que favoreçam a performance off-road? Então a BMW F800GS também é uma bicilíndrica esguia, vem com aro dianteiro 21” e custa R$ 19 mil a menos (R$ 46 mil). Será que é capaz de fazer o mesmo que a Honda?  

Controle de tração e ABS estão disponíveis nas três com diferentes graus de ajustabilidade, o que ajuda na pilotagem off-road e outras situações de baixa aderência. Ajuste eletrônico de pré-carga só pelos painéis de Yamaha e BMW; em contrapartida na Africa Twin há os três tipos de regulagem a serem feitos manualmente (compressão, retorno e pré-carga), portanto uma regulagem refinada e mais trabalhosa. Outra diferença técnica fundamental é a transmissão final por eixo cardã na Super, o que elimina a preocupação com limpeza, lubrificação e manutenção periódica do sistema por corrente, embora acrescente peso sobre o eixo traseiro.

Rodando por autoestradas a vantagem claramente fica com a Yamaha, afinal é a mais potente e torcuda da turma (são 112 cv a 7.250 rpm e 11,9 kgf.m a 6.000 rpm), você pode escolher o “tom” das respostas ao acelerador entre os modos Touring e Sport e quando atingir a velocidade desejada acionar o cruise control para relaxar a mão direita. Se o vento estiver frio, ligue o aquecedor de manoplas e aproveite a regulagem de altura do para-brisa. A viagem também será mais confortável e rápida porque os assentos são largos e macios, e para ajudar a reduzir o número de paradas o tanque comporta 23 litros. Já entre Africa e GS, a primeira tem banco um pouco mais duro e não vem com aquecedor de manoplas, mas acelera mais e vibra um pouco menos.  

Outra curiosidade que deve rondar a mente dos potenciais compradores da nova Honda é saber como acelera comparativamente às alternativas que o mercado oferece. Está mais para 800cc ou 1.200cc? Nossos testes de 0 a 100 km/h foram completados pela Super Ténéré em 3s76, seguida da Africa Twin em 4s11 e da GS em 4s25. A maior surpresa veio das retomadas de velocidade em 6ª marcha, que simulam a capacidade de ultrapassagem em 6ª sem que se reduza a marcha partindo de 60 km/h até 120 km/h, quando a 1000 foi mais lenta que a 800.

Pedras pelo caminho

Saímos da rodovia para enfrentar um percurso de areia batida, cascalho e outras pedras de todos os tamanhos. Foi o momento em que a Yamaha se transformou em desvantagem: era preciso manter a atenção e se antecipar aos obstáculos porque direcioná-la exige mais espaço e esforço, além de cuidado porque há peso extra sobre os eixos e a roda dianteira é a única de 19 polegadas. Quando manobramos entre pedras grandes, atravessamos trechos alagados ou com lama o cansaço provocado por lidar com seus 261 kg ficou evidente.

A diferença de peso entre BMW e Honda (207 kg e 232 kg) é quase imperceptível na prática, porém conduzir a Africa Twin mostra-se mais fácil e até agradável porque a posição para pilotagem em pé beira a perfeição. Completamente ereto ainda permite que se alcance o guidão sem esforço ou necessidade de se curvar para frente, as pernas abraçam o tanque estreito com firmeza que melhora o controle sobre a moto. Ficar de pé nela parece até natural.

As suspensões também trabalham com mais precisão que as da BMW e o controle de tração pode ser ajustado em três níveis ou desligado, enquanto na 800 não há níveis de intensidade e é preciso desligá-lo para garantir tração em trechos de baixa aderência, caso contrário a ignição vai sendo cortada e fica difícil vencer subidas, por exemplo. Você fica por conta própria, ou melhor, por conta da sensibilidade na mão direita... Na Yamaha há dois níveis do controle e opção de desligá-lo, mas é a única que não possibilita desativar o ABS (desejável nessa condição, em que pode atuar em excesso alongando a frenagem). 

De volta ao asfalto e depois à garagem, havíamos atravessado situações suficientemente variadas com as três para concluir que a Africa Twin é sem dúvida um upgrade sobre a F800GS, embora não para quem está em busca de conforto rodoviário – este deve comprar a Super Ténéré. Os “degraus” desta subida estariam bem definidos caso a Honda custasse algo na casa de R$ 50 mil, entretanto por R$ 65 mil é recomendável ponderar se o comprador é um off-roader experiente o bastante para usufruir o que ela entrega a mais neste tipo de uso.

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