Duas Rodas
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Harley-Davidson à italiana

Para concorrer com modelos europeus e japoneses a Harley importou as italianas de baixa cilindrada da Aermacchi, que foram montadas até no Brasil

21/03/2017 às 16h08m

A Harley-Davidson é um símbolo de moto ao gosto americano que resistiu aos anos e atingiu o centenário mantendo-se atenta às raízes. Sobreviver a tantas décadas significa também que atravessou crises e controvérsias, como as tentativas de concorrer com modelos estrangeiros através de produtos de baixa cilindrada que pouco (ou nada) tinham da tradição da marca. 
 
Provavelmente o período mais interessante dessa história começou no início dos anos 1960 com a compra de 50% da italiana Aermacchi. Esta fabricante de aviões, como tantas outras europeias, passou a produzir motos de baixo custo após o fim da 2ª Guerra Mundial e sua aquisição foi vista pela Harley-Davidson como solução para substituir uma linha de baixa cilindrada já existente desde os anos 1940 por novos modelos, além de reforçar sua presença na Europa. Assim as motos seguiram sendo produzidas em Varese, perto de Milão, e eram importadas para venda com a marca americana. 
 
Pequenas monocilíndricas de dois tempos podem ter pouco a ver com a tradição da marca, mas o fato é que depois da guerra os Estados Unidos se tornaram foco das exportações de fabricantes europeias e, pouco depois, também das japonesas. A Harley-Davidson já havia sido vendida para a American Machine and Foundry (AMF), uma fabricante de máquinas que começava a se interessar por bens de consumo, e enfrentava uma crise quando comprou a totalidade da Aermacchi em 1974. 
 
Montadas no Brasil
Nessa época algumas unidades foram importadas pelo magazine Mesbla, as trail SX 125/175/250, a Z90 e a mini-trail X90, todas para rivalizar diretamente com modelos japoneses. No entanto, o maior expoente dessa fase da Harley no Brasil foi a operação da montadora Motovi, instalada na Zona Franca de Manaus, que foi licenciada para importar e montar a SS 125 vinda da Itália e a Electra Glide 1200 americana. A 125 usava um aro dianteiro maior de 19 polegadas (18 atrás), tinha assento largo e guidão elevado bem ao estilo americano, mas sofria de falta de “tropicalização”: o motor de dois tempos tinha taxa de compressão elevada (10,8:1), que exigia a cara gasolina azul de maior octanagem, e o velocímetro ainda trazia a escala em milhas. 
 
Nosso teste na época criticou a performance considerada tímida, especialmente para uma dois tempos (a potência era semelhante à da CG 125 de quatro tempos), e o excesso de vibração do motor. O piloto gostou do “porte avantajado” e da posição de pilotagem confortável, mas se queixou que o acionamento dos comandos era “duro” e o curso do pedal de câmbio exagerado, além de esperar que pelo preço próximo ao da Honda ML contasse com freio a disco e conta-giros.        
 
A Harley-Davidson desistiu dos modelos de baixa cilindrada em 1978 e vendeu as instalações da Aermacchi a também italiana Cagiva. Quase simultaneamente a Motovi já enfrentava dificuldades para nacionalizar parte dos componentes das motos importadas como exigia a administração da Zona Franca e decidiu vender sua linha de montagem para a vizinha Honda. As SS 125 se tornaram raras no país, pois as peças de reposição difíceis de obter quando a Motovi ainda operava se tornaram inexistentes após o fechamento da linha de montagem. Em 1981 um grupo de investidores liderado pelo neto do fundador Willie G. Davidson recomprou a então combalida Harley-Davidson e iniciou um processo de recuperação da marca focando modelos de alta cilindrada com performance aprimorada.
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