Duas Rodas
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“A moto é meu meio de transporte e meu prazer”

Chef Henrique Fogaça, do MasterChef, conta sobre a adolescência com a Mobylette e a presença intensa da moto na vida atual. Com alguns tombos e muita insistência pelo caminho...

21/03/2017 às 15h51m

Motocicletas, rock’n’roll, artes marciais, tatuagens e panelas. São as palavras-chave usadas pelo próprio Henrique Fogaça, chef e jurado do programa MasterChef (Band), para se definir. As motos compõem bem a personalidade bad boy, mas são muito mais que imagem na vida de Fogaça. É com elas que se locomove por São Paulo (SP) todos os dias, monitorando o funcionamento de Sal Gastronomia, Admirals Place, Cão Véio e Jamile, as quatro casas em que comanda a cozinha. Mais do que solução de transporte, o prazer da moto foi provado pela primeira vez ainda na adolescência – e nunca mais ele parou de repetir.    
     
Duas Rodas – Como começou sua relação com as motos?
Henrique Fogaça – Meu tio era motociclista, sempre teve motos desde que eu era criança. Eu morava no interior, em Ribeirão Preto (SP), e minha relação com duas rodas começou com uma bicicleta Brandani, a fábrica ficava na cidade e mantinha uma pista de BMX que eu frequentava. Mais tarde, com mais ou menos 13 anos, meu pai se cansou de ser atazanado por mim e meu irmão e comprou uma cinquentinha. Era velha, mas foi nossa primeira moto. Trocamos por uma Mobylette CX, depois pela XR. A gente depenava e colocava escapamento esportivo para apostar corrida. Tinha um ponto na cidade que era a lanchonete Deck Delícia, o pessoal se encontrava lá e fazia um percurso com as Mobylette, Turuna e outras motos que a garotada da época tinha. 
 
Então a maior parte da adolescência foi com a Mobylette...
Praticamente toda a adolescência, de uns 13 anos até os 17. Minha mãe não gostava de moto e quando ganhamos a primeira disse “no primeiro tombo que você levar, nós vamos vender”. Claro que eu não me importava e até empinava como já fazia com a bicicleta! Um dia fui a outro bairro da cidade, o Jardim Canadá, onde também rolavam uns pegas de moto, caí numa curva que estava suja de terra e fiquei todo ralado. Deixei a Mobylette quebrada no escritório do meu pai e fui para casa disfarçando, como se não tivesse acontecido nada. Tomei um banho, saí para a boate do clube Recreativa e quando voltei para casa peguei no sono do jeito que estava. Só acordei no dia seguinte, com a camiseta colada nos machucados... Não teve jeito, meus pais descobriram e colocaram a Mobylette à venda. Ficou guardada no escritório do meu pai e eu, malandrão, pegava a chave escondido nos sábados à noite. Algumas semanas depois ele descobriu e a Mobylette foi mesmo vendida. Meu irmão era mais velho do que eu e acabou comprando uma Yamaha DT 180. Um dia voltando da escola vi a DT parada em casa, peguei a chave e saí por alguns quarteirões, mas chegando de volta fui empinar e caí para trás. Quebrei a moto dele, ficou p... da vida!
 
Quando você passou da Mobylette para as motos? 
Fiquei algum tempo sem moto, fui para a faculdade, me mudei para São Paulo e fui trabalhar no Banco Real. Fiquei cinco anos lá. Quando saí do banco recebi o dinheiro que usei para montar o Sal [restaurante]. Isso foi há 12 anos. Também comprei uma Suzuki GS 500 nessa época, depois tive uma Honda Falcon e uma Yamaha XT 600. As motos sempre foram meu meio de locomoção diário. Mais tarde encontrei meu estilo nas motos mais clássicas, acho que têm mais personalidade. 
 
Depois de ter motos de estilos muito diferentes você considera essa experimentação parte da evolução como motociclista, até se encontrar em um tipo de proposta? 
Conforme o tempo passa vamos ficando mais velhos e exigentes. Como acontece com a comida, você vai provando e descobre que o bife da esquina não é tão bom, então fica mais seletivo. Fui traçando meu perfil como motociclista até encontrar o tipo de moto que me deixa mais confortável e feliz. As motos que tenho hoje têm mais identidade, qualidade, estética. 
 
Gosta de customizar suas motos? 
Eu gosto de deixar do meu jeito. Prefiro um estilo mais limpo, sem tantos adereços, com para-lama curto, banco solo... Vários amigos já mexeram nas minhas motos, o Teydi Deguchi, que tinha oficina do lado do Sal; o Caju, da FF Motorcycles; o Juninho, da Arte Garagem; e o Geraldo, da Targino Kustom Shop. 
 
Você faz parte de um motoclube, o In’ Omertà. Como é sua vida de motociclista hoje?
A moto está no meu dia a dia o tempo inteiro, só ando de moto. É meu meio de transporte e meu prazer. Transito entre os restaurantes durante o dia, viajo, vou aos encontros do motoclube. Minha rotina agora não deixa muito tempo para viajar e ir ao motoclube, o pessoal até pega no meu pé para participar mais das atividades, mas nem sempre consigo acompanhar. Minha prioridade é o meu trabalho, são os restaurantes, que afinal pagam minhas contas!
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